As dores e as delícias do primeiro encontro – Parte 19

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Nesse episódio vamos entender as coisas pelo ponto de vista do Arthur:

Estava concentrado no que a Helena estava dizendo, até que o barulho do elevador me distraiu. Quando olhei, uma garota tinha derrubado alguns panfletos no chão e rapidamente tinha se abaixado para recolhê-los. E eu não podia acreditar que aquela era a Ana. Minha querida e doce amiga Ana.

Conversamos amenidades. Ao mesmo tempo em que ela mudou muito, ela não mudou nada. O seu sorriso ainda causa simpáticas covinhas na sua bochecha. O seu cabelo ainda tem ondas suaves nas pontas e tem o mesmo tom de castanho que eu me lembrava. Só que ela ainda está mais linda, se é que isso é possível.

Confesso que durante a nossa reunião de planejamento não pude deixar de reparar no jeito dela. Ela continua tímida, mas consegue disfarçar muito bem com um discurso bem preparado e domínio sobre o que está falando. E estava linda, realmente linda.

Quando pedi seu número, a primeira desculpa que me veio à cabeça foi convidá-la para um café. Alguém ainda convida para um café? Não sei, mas arrisquei. Ela gentilmente me passou seu número e sorriu. E eu tive que virar as costas para ela e  ir embora.

A caminho do estacionamento passei por uma floricultura. Olhei a vitrine e logo vi uma pequena orquídea lilás. Apesar de pequena e discreta, ela chamou minha atenção. Acho que no fundo eu me lembrei que a Ana sempre comentava como orquídeas eram flores muito mais interessantes do que rosas. Ou será que eu estava imaginando coisas? De qualquer maneira, o que eu estava pensando afinal?

A Ana tinha sido uma grande amiga da minha adolescência. Na verdade, ela tinha sido minha melhor amiga. A única que eu falava sobre qualquer assunto, a qualquer momento.
O dia em que nos beijamos foi muito estranho. O beijo não foi ruim, pelo contrário, mas me pegou de surpresa. Sempre fomos amigos, só isso. Pelo menos eu nunca desconfiei de qualquer interesse da parte dela.

Quando fui para o exterior, Ana foi na minha festa de despedida, mas nós não tivemos uma despedida decente, como nossa amizade merecia. Eu estava no começo da faculdade, cheio de novidades e ela ainda estava no ensino médio. Eu contava para ela sobre como a faculdade era diferente do que eu pensava, enquanto ela ainda não fazia ideia de que curso iria prestar no vestibular.

Eu nunca tive dúvidas, sempre pensei em seguir a carreira do papai. Sendo sincero, eu nem cheguei a pensar em outras opções, tinha facilidade com as exatas e como meu pai já tinha uma empresa, esse foi meu caminho natural.

Já Ana queria ser bióloga, depois veterinária, depois designer, depois nem lembro mais. Mas acho que ela fez Jornalismo ou Letras, porque sempre gostou muito de ler e escrever.

Assim que cheguei aos Estados Unidos eu pirei. Sempre quis viajar o mundo e a Ana também queria muito! A gente tinha planos de fazer alguns mochilões por ai. Acabou que fiquei 2 anos morando em Chicago estudando na  Universidade de Illinois.

O combinado era sempre mandar um postal pra ela a cada cidade que eu visitasse. E a gente tinha prometido trocar e-mails também. Eu enviei um postal logo que cheguei e também um e-mail. Ela prontamente me respondeu. Com o tempo, fui me distraindo com a minha nova rotina, os e-mails ficaram mais espaçados até que cessaram por um tempo. Ana ainda insistiu, sempre que podia me perguntava como eu estava indo, onde eu tinha passado os finais de semana, se eu tinha visitado outros lugares. Mas eu fui um idiota e deixei de responder alguns dos seus e-mails. Eu pensava que responderia no dia seguinte, mas o dia seguinte nunca chegava.

Quando voltei ao Brasil, prontamente enviei um e-mail para Ana, mas foi ai que ela não me respondeu. Doeu. Pensei que tudo voltaria a ser como antes, num passe de mágica. A vida seguiu. Conclui a faculdade e logo engatei uma pós. O tempo estava voando! E nós perdemos a proximidade.

Fui de novo para o exterior e voltei. Para a minha surpresa, na minha primeira reunião de volta ao trabalho quem eu vejo? Ana. Inacreditável como esse mundo dá voltas. Parece coisa de filme, ou destino, sei lá.

E cá estou eu, pensando em quando vou poder convidá-la para o tal café. Pego o telefone e envio uma mensagem para ela.

 

“Oi Ana, aqui é o Tu. Tô mandando a mensagem pra você salvar o meu número. Estou sorrindo até agora, acredita? Tava aqui me lembrando da nossa adolescência. Nunca pensei que te encontraria novamente de um jeito tão inesperado! Sinto muita falta das nossas conversas, desculpe por ter me distanciado de você durante esses anos… Me arrependo de verdade. Mas espero poder retomar o tempo perdido! Um beijo!”

 

Depois de enviar, reli a mensagem. Puts. Era quase uma declaração de amor. Mas depois que a gente aperta o botão de enviar, não tem como lamentar, não é?

Ela não respondeu de imediato, mas eu fiquei checando o celular de 5 em 5 minutos. Se ela não tivesse me dado um cartão com seu número, eu sinceramente teria pensado que ela tinha inventado uma sequência de números qualquer.

 

Fim do expediente, papai não estava lá. Queria contar as novidades pra ele, tenho certeza que ele se lembra da Ana e dos pais dela. Peguei o carro e fui embora. Num semáforo no caminho de casa recebi a mensagem. Era a resposta que eu tanto esperava.

 

“Oi Arthur, desculpe pela demora em responder. Seu número está salvo. Também sinto falta da nossa amizade. Você foi o meu primeiro amigo… Sim, vamos marcar o nosso café pra colocar o papo em dia!

Abraço, Ana.”

Tudo bem, desculpas aceitas. Que moral eu tenho para cobrar algo dela se estou 6 anos atrasado? Por coincidência, ou talvez seja mesmo destino, a floricultura era na outra rua. Será que eles ainda estavam funcionando? Mas e o endereço dela? Fiz um esforço mental. O bairro dela não era muito distante dali, acho que ela deva continuar morando no mesmo lugar de sempre. Valia a pena arriscar. Qualquer coisa eu poderia levar a orquídea lá pra casa mesmo.

Por sorte a orquídea ainda estava lá. Pedi para embrulhar para presente. Me perguntaram se era uma ocasião especial. Disse que sim, bem especial, com um sorriso besta no rosto. A moça sorriu de volta e me entregou um belo embrulho azul, uma caixa própria para plantas. E eu nem sabia que isso existia. Comprei um cartão ali mesmo e escrevi:

“ Você ainda gosta de orquídeas? Vi essa no caminho indo para casa e lembrei de você. Sim, eu me lembro do seu endereço! Só confirmei com o porteiro antes de deixar o pacote. Espero que goste.

Arthur.”

Eu realmente estava arriscando muito! Será que foi um exagero? Tarde demais para se arrepender, eu já estava em frente a portaria dela. Perguntei ao porteiro se a Ana do 402 ainda morava lá. Ele disse que sim e perguntou se eu queria que chamasse pelo interfone. Disse que não precisava. Isso sim seria bastante invasivo. Me senti um stalker, mas entreguei a caixa e agradeci.

Fui para casa pensando no que eu tinha acabado de fazer. Nunca fui muito bom com as palavras, eu achava mais simples demonstrar as coisas por meio de gestos. Procurei ser discreto, falei da nossa amizade na mensagem não é? Não, não tinha desculpas. Eu tinha sido bem óbvio. Só esqueci do pequeno detalhe de não ter perguntado se ela está solteira. Bom, mal não ia fazer. É só uma florzinha, mesmo com namorado continua sendo uma florzinha.

Se eu tinha sido extremamente precipitado, só o tempo ia me dizer. A única coisa que eu podia fazer era esperar por uma resposta e torcer para que orquídeas ainda causassem boas reações nela.

(CONTINUA)

 

 

 

 

 

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