Resenha: O caso dos dez negrinhos – Agatha Christie

Livro: O Caso dos 10 negrinhos (E não sobrou nenhum)
Autora: Agatha Christie
Páginas: 258
Editora: Circulo do Livro
Nota: 5/5

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O livro, publicado em 1939, é considerado uma das melhores histórias escritas pela rainha do crime. Prova disso é que o livro já foi adaptado inúmeras vezes para fimes e peças de teatro e é a obra mais vendida da autora.

Confesso que as expectativas eram altas e posso admitir que após concluir a leitura elas foram devidamente superadas. O livro é bom mesmo e o final é espetacular! Sabem quando a gente termina um livro e fica pensando: caramba… Então, foi assim que eu fiquei.  Certamente esse é um livro que vou guardar com carinho e reler daqui há alguns anos.

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O Caso dos dez negrinhos gira em torno de uma “reunião” realizada na Ilha do Negro, organizada pelo misterioso U.N.Owen. O nosso personagem misterioso envia cartas para 10 pessoas convocando-as para passarem alguns dias na ilha, cada carta tem uma especificação diferente, de modo a se encaixar com os destinatários em questão. Essas pessoas partem de boa vontade para a ilha, aguardando mais orientações de U.N Owen.

Na primeira noite na casa, na hora do jantar, são surpreendidos com uma misteriosa voz, vinda de um disco, contando um segredo de cada pessoa presente no recinto. É pra arrepiar os cabelos da nuca, não é? E é exatamente isso que acontece. Os convivados ficam assustados e querem sair da ilha o mais rápido possível. O problema é que a única maneira de sair de lá é de barco, e convenientemente nenhum barco está disponível para os visitantes. Quando eles descobrem isso, o resultado é o já esperado: Pânico, muitas suspeitas e é claro, mortes muito misteriosas.

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A história é toda entrelaçada com um poema infantil que conhecemos logo nas primeiras páginas do livro. Esse poema está na casa, ao alcance de todos os envolvidos:

“Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove; Um deles se engasgou e então ficaram nove. Nove negrinhos sem dormir: não é biscoito! Um deles cai no sono, e então ficaram oito. Oito negrinhos vão a Devon de charrete; Um não quis mais voltar, e então ficaram sete. Sete negrinhos vão rachar lenha, mas eis Que um deles se corta, e então ficaram seis. Seis negrinhos de uma colméia fazem brinco; A um pica uma abelha, e então ficaram cinco. Cinco negrinhos no foro, a tomar os ares; Um ali foi julgado, e então ficaram dois pares. Quatro negrinhos no mar; a um tragou de vez. O arenque defumado, e então ficaram três. Três negrinhos passeando no Zoo. E depois? O urso abraçou um, e então ficaram dois. Dois negrinhos brincando ao sol, sem medo algum; Um deles se queimou, e então ficou só um. Um negrinho aqui está a sós, apenas um; Ele então se enforcou, e não ficou nenhum.”

Esses dez negrinhos estão na mesa da sala na forma de figuras de porcelana, e o que acontece com eles no decorrer do livro é no mínimo intrigante!

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A medida em que as coisas vão acontecendo, os personagens restantes vão ficando cada vez mais angustiados, e nós leitores também! Quando engatei no livro não quis mais parar de ler. Eu até tentei adivinhar o suspeito, mas é tudo tão bem entrelaçado que eu não consegui. Isso não me chateia, só reforça o quanto a Agatha é genial.

Se você gosta de um bom romance policial e ainda não leu esse livro, leia! Tenho certeza que você será fisgado pelo mistério, traçará inúmeras hipóteses e no final será arrebatado como eu fui!

Essa foi a primeira leitura do desafio #AgathaChristieTEL
A ideia do projeto é conhecer um pouco da obra de Agatha Christie a cada ano, sendo que em 2017 leremos 12 livros da autora!

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Nessa imagem vocês podem ver os títulos selecionados! A ideia é continuar lendo os livros da autora nos próximos anos, já que ela tem mais 70 livros publicados! É um projeto pra vida, rs.

Espero que tenham gostado da resenha e ficado animados para conhecerem essa história! Reforço minha recomendação e garanto que não será tempo perdido!

Enaosobrounenhum.jpgPs. O livro mudou de nome por conta de polêmicas sobre racismo. Agora é vendido como E não sobrou nenhum, mas a história é a mesma.

Ps.2 Minha edição é muito antiga, quase da época do lançamento do livro. Tenho um carinho especial por ela! A edição mais recente que encontrei na internet é da Globo Livros com essa capa linda aqui do lado!

Até a próxima resenha pessoal!

Resenha: A Cor Púrpura – Alice Walker

Terminei a leitura de A cor púrpura no meio de fevereiro e até hoje não tinha criado coragem para fazer essa resenha. Por quê? Porque me faltam palavras para descrever a grandiosidade desse livro. Mas reuni forças e coragem, espero conseguir passar um pouquinho do que senti com essa história para vocês!

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Celie é uma das personagens mais guerreiras que eu tive o prazer de conhecer. Sua vida não foi nada fácil. Ela sofreu todo o tipo de abuso em casa, onde deveria ter proteção. E mais tarde, quando se casou, sofreu mais um bocado. Pesado, sim. E eu nem comecei a contar.

Ela  se casa com um homem mesquinho chamado Albert e durante todo o livro Celie o chama de Sinhô. Mas porque não chamá-lo pelo nome se ela era sua esposa? Simplesmente porque Celie não se sentia assim. Ela se sentia inferior, pois durante toda sua vida ela foi tratada dessa forma.

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A Cor Púrpura é uma história bem triste. Triste mesmo, do tipo que causa dor na alma. Você deve estar pensando… “Nossa, então porque você quer que eu leia esse livro tão dolorido?”

Simplesmente por que quero que você conheça uma personagem que tem uma força tão grande que vai te fortalecer também, confie em mim.

Celie escreve cartas para Deus. E tempos depois, escreve cartas para sua irmã Nettie. O livro é assim, uma constante troca de cartas. Há quem torça o nariz para histórias contadas dessa forma, mas A Cor Púrpura passa longe da monotonia e foge dos clichês de livros do tipo.

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Alice Walker publicou esse livro em 1983… Se hoje a mensagem ainda é tão impactante, não consigo nem imaginar como foi naquela época.

A Cor Púrpura foi adaptado para o cinema em 1985, num filme dirigido por Steven Spielberg com Whoopi Goldberg interpretando o papel principal, Celie.

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O livro foi premiado com o Pulitzer na época em que foi lançado e mesmo após mais de 30 anos de sua publicação, permanece conquistando uma legião de fãs. O que só mostra o quanto a história é atemporal e realmente grandiosa.

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Vale comentar aqui que as cartas de Celie tem uma série de erros de ortografia. Tal aspecto me chamou a atenção logo no início da leitura… Mas eu entendi que essa foi uma estratégia de Alice Walker para mostrar mais uma das faltas de oportunidade de Celie. A de não ter tido a chance de ter uma educação formal.

Além disso o livro é recheado de outros personagens secundários bem interessantes! Principalmente Shug Avery, que vai promover uma série de transformações em Celie. Outros personagens destaque são Nettie, irmã de Celie, Harpo, filho de Sinhô e Sofia, mulher de Harpo. Sofia é outra personagem maravilhosa que eu tenho certeza que vocês vão gostar!

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Não quero revelar muitos detalhes do enredo para não dar nenhum spoiler! E também não vou dizer porque o livro tem esse nome, porque essa revelação é muito legal no meio da história. Mas, resumindo: A Cor Púrpura vai girar em torno da vida de Celie, seu sofrimento, seu aprendizado e suas descobertas. E acreditem, é fascinante.
Mesmo que o livro tenha partes bem tristes, ele vai te arrancar alguns sorrisos pelo caminho! Se ainda não te convenci, faço um apelo direto: Leia! E depois volta aqui para me dizer o que achou.

Livro lido, resenha feita. Agora eu finalmente posso conhecer minha Celie do filme, a Whoopi Goldberg e me encantar com essa história novamente.

Quando eu assistir, volto com a resenha para vocês!

Até mais!

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Ficha técnica

Título: A cor púrpura
Autora: Alice Walker
Editora: José Olympio

Nota:
5 estrelas + favoritado.

Estrelas Além do Tempo (2016)

No último sábado (04), fui ao cinema assistir Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures). Confesso que sabia pouco sobre o filme, tinha assistido ao trailer, que me deixou curiosa, mas eu não tinha real dimensão do que estava por vir. Sabia apenas que era uma história real e que estava indicado ao Oscar em algumas categorias.

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Nos 5 primeiros minutos de filme eu já vi que o ingresso tinha valido a pena.

071675-jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxxEstrelas Além do Tempo se passa durante a década de 60, onde os Estados Unidos e União Soviética travavam uma intensa corrida espacial, cenário em que a URSS  tinha vantagem, pois já havia lançado satélites e os Estados Unidos ainda não tinha obtido um lançamento de sucesso.

A NASA tinha em sua numerosa equipe os “computadores humanos”, mulheres negras que trabalhavam numa salinha fazendo cálculos e analisando equações que resultariam no lançamento de satélites. Vale lembrar que nessa época, os Estados Unidos ainda viviam um conturbado período de segregação racial.

Estrelas além do tempo foca em três personagens centrais: Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe). Mulheres negras que foram essenciais no desenvolvimento da NASA e no sucesso da expedição do primeiro homem a orbitar em volta da terra.

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A pequena Katherine G. Johnson mostrando todo seu talento nos primeiros minutos do filme

O foco do filme é na personagem de Taraji, pois Katherine é apresentada ao espectador ainda criança, com um talento absurdo para cálculos matemáticos. Mas as outras duas personagens também tem histórias bem interessantes, que são bem entrelaçadas no decorrer do filme.

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Katherine G. Johnson recebe uma promoção e vai trabalhar juntamente com Al Harrison, diretor da NASA interpretado por Kevin Costner. Além das dificuldades já esperadas, por ser um trabalho de grande responsabilidade, ela terá de enfrentar preconceito por ser mulher e racismo, por ser negra.

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Katherine em meio a equipe de engenheiros da NASA

Dorothy Vaughan atua como uma espécie de supervisora dos “computadores humanos” e tem que lidar com a chegada de um super computador, o IBM, cuja função esperada era substituir trabalho humano. Porém Vaughan se mostra essencial num momento de crise, provando que as máquinas são um bom avanço, mas não funcionam tão bem quanto uma mente brilhante.

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Dorothy Vaughan e os “computadores humanos”

E por fim, Mary Jackson, que trabalha junto com engenheiros responsáveis pela montagem dos satélites, sabe tanto quanto eles, mas não teve a oportunidade de ser graduar como engenheira simplesmente porque as aulas da Faculdade de Engenharia eram restritas a homens brancos. Mas sua determinação é tão grande e seu sonho é tão intenso que ela fará o impossível na busca de seu sonhado diploma.

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Mary Jackson

Apesar do tema difícil, afinal, falar de racismo seja ele explícito ou velado, nunca é fácil. Estrelas Além do Tempo consegue mostrar a ferida sem cair no dramalhão. O filme emociona porque é emocionante de verdade, não porque força para ser.
Ver mulheres lutando tão bravamente por suas carreiras numa década tão conturbada e cheia de obstáculos não poderia resultar em outra coisa além de sucesso.

estrelas-alem-do-tempo-2Apesar de ter mais de duas horas de duração, não senti o tempo passar. A história é tão bem contada, e as atuações são tão boas, que quando os créditos aparecem, a vontade é de assistir tudo de novo.

O longa é adaptado  é adaptado de um de um livro-reportagem de mesmo nome (Hidden Figures) da autora  americana Margot Lee Shetterly.

O filme terminou e meus olhos estavam marejados. Primeiro pela grandiosidade dessas mulheres incríveis, segundo por ser uma história real, e por fim, pela tristeza de saber que se não fosse por meio desse filme, dificilmente eu teria conhecido três figuras tão importantes na história da humanidade.

Ficha técnica: 

  • País: EUA
  • Classificação: livre
  • Estreia: 2 de Fevereiro de 2017
  • Duração: 127 min.
  • Direção: Theodore Melfi
  • Roteiro: Theodore Melfi

Indicações ao Oscar:
Melhor Filme
Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer)
Melhor Roteiro Adaptado (Theodore Melfi)

Trailer: