Dias de cacto, orquídea e ipê

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Foto por Daniela Colaci

Cactos são aquelas plantinhas famosas por teoricamente não precisarem de água para viver. Se adaptam a vários ambientes, resistem a situações inóspitas e são fáceis de cuidar. Por outro lado, seu desenvolvimento é lento e a planta não demonstra sinais de degradação rapidamente. Em vez de folhas, tem espinhos para proteção. E alguns tipos florescem uma vez ao ano.

Orquídeas são aquelas plantas exóticas, apaixonantes, lindas e caras. Orquídeas fazem sucesso, são objetos de disputa e sinônimo de elegância. Mas são delicadas.  Se você não der toda atenção que ela precisa, ela não resiste. Mas em compensação, se você dedicar tempo e amor, ela te presenteará com flores lindíssimas.

Ipês são árvores frondosas e imponentes. Sua madeira é valorizada e quando floresce, encanta deixando um rastro de cor ao seu redor. Porém, antes de mostrar suas flores, perde todas as suas folhas. Ou seja, passa por um período ruim antes de florescer e mostrar toda a sua beleza.

Estou falando de plantas, mas poderia usar o mesmo tipo de descrição para falar de pessoas.

Existem pessoas que são como cactos. São aqueles que têm uma aparência forte, são resistentes, não desistem e se adaptam a uma série de dificuldades. Mas será mesmo que são tão fortes?  Será que conseguem mesmo suportar todas as dificuldades ou apenas não demonstram suas fraquezas? Não é de todo ruim ter a resistência de um cacto, mas o indivíduo que não demonstra fraqueza acumula dor e sofre sozinho. Alguns cactos florescem uma vez ao ano. Mas é muito duro lidar com tantos espinhos para receber um mínimo afago em troca.

Orquídeas são aquelas pessoas que consideramos intocáveis. Exemplos de beleza e perfeição. Reúnem legiões de fãs, são populares, parecem estar sempre felizes. Mas são frágeis. Necessitam de atenção constante ou aos poucos vão murchando, assim como as flores. É injusto! Você dedica tanto tempo, tanto carinho… Mas se para de cuidar (ou bajular) puf, acabou.

E os ipês… Ah os ipês! As pessoas Ipês são as que mais me chamam a atenção. Sabem por quê? Elas são resistentes, mas sem perder a ternura. São fortes, mas tem sua fragilidade. Elas enfrentam obstáculos, se desmancham. Sabem que para ganhar precisam perder antes. E sabem também que mesmo florescendo raramente, quando o fazem, encantam do jeito mais intenso e verdadeiro.

As pessoas ipês me encantam. São aquelas que não são 8 ou 80. Aquelas que às vezes somem, mas você sabe que é por um bom motivo e logo elas vão florescer de novo. São aquelas que surpreendem, cativam e envolvem e só pedem respeito em troca. Pessoas ipês têm o tempo delas, não te machucam com espinhos e não exigem atenção constante. Mas você sabe que elas estão lá. E o melhor, você sabe que elas sempre voltam.

É normal ter dias de cacto, passar por uma fase orquídea.  Mas o melhor mesmo é quando você cresce e se torna um Ipê. Beleza e flores sim, mas maturidade e sabedoria também.

Olhos de Cronista

Nesse final de semana eu estava lendo um livro de crônicas e reparei o quão apurado é o olhar dos cronistas. Filme novo em cartaz, vira crônica. Exposição de arte, vira crônica. Casal de namorados discutindo, vira crônica. Florzinha no canteiro, vira crônica. Enfim, vocês entenderam.

O cronista consegue enxergar além do ponto de observação comum. Se pra uma pessoa um casal conversando é apenas um casal como outro qualquer, pro cronista um casal conversando vira assunto pra uma crônica arrebatadora, daquele tipo que você termina de ler e pensa: uau! Como foi que eu nunca pensei nisso antes? Pingo vira letra, sabem como é?

Mas esse poder de ver as coisas com olhos mais apurados não precisa ser exclusividade dos cronistas. Por incrível que pareça, é mais fácil do que a gente pensa.

Sei que você faz todo dia um caminho para ir estudar ou trabalhar. Ou pra ir até a padaria, coisa simples. Me diz, você repara no que?

Você deve estar pensando… Lá vem a louca querer que eu fique procurando flores na calçada. Não, calma. Não precisa de tanto. Apesar de que, a ideia de encontrar flores na calçada me parece uma boa opção de começar o dia. Mas vamos voltar ao assunto…

Todo mundo tem rotina. Pra alguns, a rotina é algo maravilhoso, para outros, um tédio. Fato é que a rotina muitas vezes deixa a gente um pouco cego dos detalhes. Estamos tão acostumados com tudo ao nosso redor que só reparamos em algo se for uma tragédia. E ai, nós reparamos MESMO. Mas isso é assunto pra outra hora.

Um belo dia eu resolvi mudar e esse dia foi hoje. Acordei de bom humor e abri os olhos de um jeito diferente. Fui até a padaria, olhando para os lados de verdade, sem ser no modo automático para atravessar a rua. Vocês sabem bem do que eu estou falando.

Sabem qual o meu saldo? Vi um cachorrinho fofo caminhando de sapatinhos. Vi um bebê de colo sorrindo enquanto entrelaçava os dedinhos no cabelo da mamãe. Vi a vitrine da floricultura cheia de flores lindas. E até vi uma velha amiga do outro lado da rua, que também devia estar com olhar apurado, porque me viu do outro lado e atravessou para me dar um abraço. Coisas simples, pequenas, mas que me fizeram sorrir. Tudo isso numa simples ida até a padaria. Imagina se eu tivesse andado um pouco mais? Quantos sorrisos a mais eu teria no meu dia?

Talvez eu não tenha conseguido convencer você, mas faça valer o velho ditado. Se você só acredita vendo, então experimente realmente abrir os olhos. Fuja do modo automático.

Se pra você reparar nos detalhes e sorrir para as coisas lindas é coisa de maluco sonhador, eu não sei.  Sei que eu prefiro dizer que acordei com olhos de cronista. E te digo que com esses olhos, o mundo me parece muito mais bonito.

As dores e as delícias do primeiro encontro – Parte 20

Tá chegando agora e não leu os capítulos anteriores? É fácil, só clicar aqui!  Parte 1, Parte 2,Parte 3Parte 4Parte 5Parte 6Parte 7Parte 8Parte 9Parte 10Parte 11Parte 12Parte 13Parte 14 Parte 15Parte 16Parte 17Parte 18 e Parte 19

Já passava de onze da noite e Ana estava elétrica. Ela tinha tomado um banho demorado e zapeado a TV por um tempo, mas nada tinha prendido a sua atenção. O vasinho com a orquídea lilás foi colocado numa mesinha próxima a entrada de seu quarto e agora, deitada na cama, Ana o observava. Seu objetivo principal era se concentrar em cada pétala da flor para tentar não pensar no que estava por trás disso. Péssima estratégia, claro. Minutos depois, seu cérebro já estava martelando num intenso debate mental.

De um lado, a voz da inocência:

– Foi só uma orquídea. É só um gesto afetuoso de um velho amigo e isso não quer dizer nada…

De outro, a impaciente voz da sinceridade:

– Claro! É super normal sair distribuindo presentinhos pra velhos amigos. Flor então, orquídeas… Acontece todo dia! Só que não! ACORDA MULHER!

Ana suspirou e pegou o celular que estava ao lado dela. Olhou as notificações no visor: 1 chamada não atendida, 1 mensagem não lida. Ambas de Guilherme.

“Oi Ana, tô mandando a mensagem só para avisar que cheguei em casa. Te liguei por engano no caminho, por que o celular estava desbloqueado no bolso da calça. Já vou deitar, to cansado. Beijo e boa noite.”

A mensagem tinha sido recebida 22:20. Ela imediatamente respondeu:

“Ah, claro, sem problemas. Só vi a mensagem agora. Tudo bem então, boa noite! Beijos!”

Jogou o celular no canto da cama e se afundou no edredom. Não adiantava ficar imaginando mil coisas, a única maneira de entender Arthur era perguntando diretamente para ele o que queria saber. O impasse é que Ana não queria perder a amizade dele, mas também não queria magoar Guilherme…

No alto do guarda-roupa, sua caixa de cartinhas da adolescência acumulava poeira. Era lá que Ana guardava todos os bilhetinhos trocados com as amigas e também os postais recebidos de Arthur. Se ela pegasse para reler esses postais hoje, ia perceber que sempre gostou de Arthur de um jeito diferente. E também ia notar que ele era afetuoso demais com ela… Mas era tarde e Ana já tinha embarcado num sono inquieto que duraria até a manhã seguinte.

As horas voaram e logo o despertador já estava apitando o som de sempre. Mesmo com o sono agitado, Ana não teve dificuldade em acordar.  Ela queria ocupar a cabeça logo com outras coisas e parar de pensar em orquídea e Arthur. Como não tinha nenhuma reunião agendada no trabalho, aquele seria mais um dia rotineiro revisando textos em frente ao computador.

Enquanto tomava seu suco de laranja e assistia o noticiário da manhã, seu celular tocou. Era Helena! Ela nunca ligava tão cedo. Preocupada, Ana atendeu depressa:

– Oi Helena, bom dia, aconteceu alguma coisa? – perguntou ansiosa.

– Querida, bom dia! Eu acordei você? Se sim, me desculpe… Acabei de receber um telefonema da portaria do prédio… Você não vai acreditar! Um cano estourou bem em frente ao prédio, inundou boa parte da portaria. Segundo o porteiro, tá uma bagunça enorme!

– Eu já estava acordada! Mas como assim? – Ana respondeu assustada – Isso aconteceu agora?

– Logo cedo, às 7h. Durante a troca de turnos na portaria… Acontece que com essa situação, tá impossível entrar no prédio. Além disso, eles cortaram a água até solucionar o problema. Como não tínhamos nada agendado pra hoje, você não precisa ir até lá. Vou te mandar um arquivo por e-mail e você confere de casa, combinado?

– Tudo bem então, deixa comigo! Obrigada pelo aviso, Helena!

– Por nada, até amanhã, se tudo estiver regularizado no prédio – Helena deu uma risadinha.

– Vai estar – Ana retribuiu o riso – até mais! – e desligou.

Como não precisava mais sair de casa, Ana nem fez questão de tirar o pijama. Tem roupa mais confortável que pijama pra trabalhar em casa? Ela terminou de tomar seu suco ainda na bancada da cozinha e depois ligou o computador para esperar a chegada do e-mail.

Enquanto o computador iniciava, Ana sentou no sofá da sala e enviou uma mensagem de bom dia para Guilherme. Quando pousou o celular no sofá, olhou ao redor. Ela tinha ficado quase 1 mês de férias, mas tinha adiado a faxina pesada em todas as ocasiões possíveis. Veja bem, ela não era uma porca. O apartamento não estava imundo, mas também não dava pra dizer que estava muito limpo. A rotina de limpeza era varrer os cômodos uma vez na semana (mas às vezes passava um pouco disso) e tirar a poeira dos móveis de 15 em 15 dias (sendo que esses 15 dias viravam facilmente um mês).

Estava decidido, aquele não seria um dia tranqüilo de home office. Seria um dia de faxina e trabalho duro! Ou quase isso…

Ana resolveu começar pela cozinha. Abriu a geladeira e foi verificar o conteúdo dos potes.

– Isso ainda parece bom… – disse, enquanto encarava o pote de arroz integral.  – mas isso definitivamente não está nada bom. – completou, jogando fora a pizza da semana anterior.

Depois de repetir o procedimento com uns 10 potinhos de todos os tamanhos, não sobrou muito mais do que água, sucos de caixinha, frutas secas e alguns potinhos do congelador. – Definitivamente eu preciso ir ao mercado. – disse a si mesma.

O relógio marcava 9:50 e estava terminada a limpeza da geladeira. Ela arrumou todos os potinhos embaixo da pia e guardou os copos sem uso no armário. Varreu o chão, passou pano e migrou para a sala.

Antes que sua falta de atitude ficasse parecendo descaso, pegou o celular e digitou rapidamente uma mensagem para Arthur:

“Bom dia! Recebi a orquídea ontem à noite. Confesso que fiquei impressionada e gostei do presente, mas você realmente não precisava ter feito isso! Mas obrigada pela lembrança, eu realmente gosto muito de orquídeas.

Ana”

– Pronto! Agora é só torcer pra ele não responder tão cedo – pensou.

Na sala ela recolheu os livros lidos durante o mês anterior, organizou as contas a pagar, juntou os boletos pagos na caixinha e reuniu o restante dos papeis num canto da mesa. Pegou o espanador de pó e limpou cada prateleira da estante, com cuidado para não quebrar os bibelôs da mãe.  Essa é a parte ruim de morar sozinha no apartamento dos pais. Você tem a comodidade de ter a casa mobiliada toda para você, mas não pode simplesmente se desfazer daquilo que considera inútil sem consultar sua mãe.  Algum tempo depois, ela já tinha terminado a faxina da sala e seguiu para o quarto.  Enquanto isso, o e-mail de Helena tinha chegado, mas Ana já estava bem longe do computador para perceber.

O quarto não era tão grande, mas tinha uma bagunça considerável espalhada pelos cantos. Ana dobrou as roupas jogadas na cadeira, separou o que era pra lavar e esticou o lençol da cama. Arrumou a mesinha de cabeceira e antes que pudesse perceber, já estava olhando as notificações do facebook, rolando o feed do instagram… Quando finalmente ela ia retomar seu foco para a faxina, Arthur já tinha respondido.

“Oi! Imagina Ana, eu fico feliz por ter acertado na escolha! Quando você estiver disponível, vamos marcar o nosso café! É só me avisar, ok?

Beijos”

– Não vou responder agora – pensou. – Ou vai ficar parecendo que eu estava grudada no celular esperando pela resposta dele, não é? E também, eu nem sei o que dizer. Resolvo isso depois. – Isso! Vamos adiar mais uma vez… – a voz da sinceridade voltava a martelar no interior de sua cabeça. – Sim, vamos adiar! – respondeu em voz alta, para calar seu pensamento de uma vez por todas.

Era chegado o momento de encarar o guarda-roupa. Ana jogou algumas peças lá dentro e fechou a porta antes que elas pudessem cair de volta em cima dela. Não era a melhor solução e ela sabia disso. Mas o guarda-roupa exigia um dia de dedicação exclusiva, e esse dia não era hoje!

Há quanto tempo ela não limpava o alto do guarda-roupa? 6 meses? Era uma estimativa razoável e otimista. Ana resolveu encarar a realidade sombria de poeira e pegou um pano velho para tirar o excesso de sujeira antes de tudo. Arrastou a velha cadeira que ficava no canto do quarto e subiu.

O panorama não era agradável. Teias de aranha, muita poeira e algumas revistas velhas.  No canto direito, sua antiga caixa de lembranças.

– Como pude me esquecer de você desse jeito? – ela se dirigiu à caixinha suja e empoeirada.  É claro que a limpeza ficou pra depois. Afinal, quem resiste em olhar as coisas perdidas que encontra enquanto faz faxina?

Desceu da cadeira com cuidado e pousou a caixa suavemente no chão do quarto. Sentou em frente e limpou com cuidado o exterior da caixinha. Quando abriu, primeiro viu os bilhetinhos do ensino fundamental unidos por clipes coloridos.

Num canto, envelopes de todas as cores que ela usava para mandar cartas e uma agenda velha, possivelmente do ensino médio. E ao lado de tudo isso, todos os postais que ela recebeu de Arthur, unidos por uma fita vermelha.  Pegou um deles e leu o verso:

“Ana,

Estou aproveitando o feriado e vim pra Nova York, como você pode ver nesse postal da Estátua da Liberdade (óbvio).Mas você não vai acreditar onde eu fui ontem: Broadway! Aqui é surreal, Ana! Você deveria ter vindo comigo.

Saudades!

Arthur”

Ainda com um sorriso estampado no rosto, leu o segundo da fila.

“Ana,

Estou em Las Vegas! Já gastei um monte de grana no cassino, mas antes parei para comprar o seu postal, como sempre. Lembrei de você hoje, sabe por quê? Passei em frente a Chapel of the Flowers e tava rolando um casamento lá. Lembra que a gente brincava que ia se casar em Vegas?

Beijo,

Arthur”

E o conteúdo desses não diferia muito dos demais. Arthur, de um jeito ou outro, sempre deixava bem claro que Ana era uma constante em seus pensamentos.

– Como eu não percebi isso antes? – ela se perguntou, enquanto juntava o restante dos postais para guardar de volta na caixa. Era um misto de sensações. Ao mesmo tempo em que ela estava feliz de ver como o amigo sempre gostou dela, estava triste porque o momento não era nada oportuno.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo celular tocando. Era Guilherme.

– Oi Ana!

– Oi! – respondeu, no susto.

– Você veio trabalhar hoje? – questionou. – Passei em frente ao prédio da editora e tá uma confusão danada!

– Não fui justamente por isso! Parece que estourou um cano ai em frente… Ai a Helena me dispensou! – completou.

– Ah, sortuda! Mal voltou pro trabalho e já ganhou uma folguinha… – ele disse brincando.

– Quem dera, tenho trabalho pra fazer em casa! E aproveitei também para fazer uma faxina.

– Vixe, então talvez fosse melhor ter ido trabalhar mesmo, não é? – ele riu.

– Sim, sem dúvidas! – riu de volta.  Ele a compreendia nos detalhes, mesmo com o pouco tempo de convivência.

– Então, tô te ligando porque vou precisar cancelar nosso cinema dessa semana…

– Ah é? – respondeu desanimada.  – Por quê?

– Vou ter que viajar pra dar curso na outra sede da empresa. Vou hoje à noite e só volto no sábado! Mas se você animar, podemos ir no domingo. Vamos?

– Pode ser… – disse, sem conseguir disfarçar o tiquinho de frustração. – Mas a gente vai se falando nesses dias, né?

– Claro! Só estou avisando assim em cima da hora porque fui realmente chamado em cima da hora. Me desculpe, viu? – ele parecia bastante sincero.

– Imagina, são coisas de trabalho, eu entendo!

– Já vou indo, preciso atender um cliente agora. Um beijo!

– Tá bom, bei… – antes que ela pudesse completar a frase, ele já tinha desligado o telefone.

Ana finalmente resolveu voltar sua atenção para o computador e o e-mail recebido, mas o trabalho não durou muito tempo, pois sua concentração foi interrompida por um estrondoso ronco vindo diretamente de seu estômago.

O relógio marcava 14h. Não tinha nada de bom na geladeira e seja lá o que tivesse no armário, levaria tempo demais para ficar pronto. Ana juntou os pertences na bolsa e saiu para almoçar no restaurante que ficava na praça do bairro.

Quinze minutos de caminhada depois, ela já estava escolhendo um lugar para se sentar. O pequeno restaurante tinha um ar rústico e servia comida do tipo caseira. No cardápio, Ana escolheu o prato do dia: tilápia grelhada, arroz à grega e legumes com molho de ervas. Enquanto esperava o pedido, ficou olhando dois garotinhos que brincavam com um carrinho no parquinho da praça. Ana ficou ali, distraída observando os meninos. Até que sentiu uma mão em seu ombro, seguida de uma voz bastante familiar:

– Ana?

Sim! O mundo realmente era um ovo de codorna e aquele era o Arthur. Companhia que Ana definitivamente não estava esperando!

(CONTINUA)