Resenha: A Cor Púrpura – Alice Walker

Terminei a leitura de A cor púrpura no meio de fevereiro e até hoje não tinha criado coragem para fazer essa resenha. Por quê? Porque me faltam palavras para descrever a grandiosidade desse livro. Mas reuni forças e coragem, espero conseguir passar um pouquinho do que senti com essa história para vocês!

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Celie é uma das personagens mais guerreiras que eu tive o prazer de conhecer. Sua vida não foi nada fácil. Ela sofreu todo o tipo de abuso em casa, onde deveria ter proteção. E mais tarde, quando se casou, sofreu mais um bocado. Pesado, sim. E eu nem comecei a contar.

Ela  se casa com um homem mesquinho chamado Albert e durante todo o livro Celie o chama de Sinhô. Mas porque não chamá-lo pelo nome se ela era sua esposa? Simplesmente porque Celie não se sentia assim. Ela se sentia inferior, pois durante toda sua vida ela foi tratada dessa forma.

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A Cor Púrpura é uma história bem triste. Triste mesmo, do tipo que causa dor na alma. Você deve estar pensando… “Nossa, então porque você quer que eu leia esse livro tão dolorido?”

Simplesmente por que quero que você conheça uma personagem que tem uma força tão grande que vai te fortalecer também, confie em mim.

Celie escreve cartas para Deus. E tempos depois, escreve cartas para sua irmã Nettie. O livro é assim, uma constante troca de cartas. Há quem torça o nariz para histórias contadas dessa forma, mas A Cor Púrpura passa longe da monotonia e foge dos clichês de livros do tipo.

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Alice Walker publicou esse livro em 1983… Se hoje a mensagem ainda é tão impactante, não consigo nem imaginar como foi naquela época.

A Cor Púrpura foi adaptado para o cinema em 1985, num filme dirigido por Steven Spielberg com Whoopi Goldberg interpretando o papel principal, Celie.

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O livro foi premiado com o Pulitzer na época em que foi lançado e mesmo após mais de 30 anos de sua publicação, permanece conquistando uma legião de fãs. O que só mostra o quanto a história é atemporal e realmente grandiosa.

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Vale comentar aqui que as cartas de Celie tem uma série de erros de ortografia. Tal aspecto me chamou a atenção logo no início da leitura… Mas eu entendi que essa foi uma estratégia de Alice Walker para mostrar mais uma das faltas de oportunidade de Celie. A de não ter tido a chance de ter uma educação formal.

Além disso o livro é recheado de outros personagens secundários bem interessantes! Principalmente Shug Avery, que vai promover uma série de transformações em Celie. Outros personagens destaque são Nettie, irmã de Celie, Harpo, filho de Sinhô e Sofia, mulher de Harpo. Sofia é outra personagem maravilhosa que eu tenho certeza que vocês vão gostar!

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Não quero revelar muitos detalhes do enredo para não dar nenhum spoiler! E também não vou dizer porque o livro tem esse nome, porque essa revelação é muito legal no meio da história. Mas, resumindo: A Cor Púrpura vai girar em torno da vida de Celie, seu sofrimento, seu aprendizado e suas descobertas. E acreditem, é fascinante.
Mesmo que o livro tenha partes bem tristes, ele vai te arrancar alguns sorrisos pelo caminho! Se ainda não te convenci, faço um apelo direto: Leia! E depois volta aqui para me dizer o que achou.

Livro lido, resenha feita. Agora eu finalmente posso conhecer minha Celie do filme, a Whoopi Goldberg e me encantar com essa história novamente.

Quando eu assistir, volto com a resenha para vocês!

Até mais!

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Ficha técnica

Título: A cor púrpura
Autora: Alice Walker
Editora: José Olympio

Nota:
5 estrelas + favoritado.

Na Estante: Eu sou Malala

Uma história pra lá de inspiradora.

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Foto: Daniela Colaci

Após ler esse livro, Malala Yousafzai virou para mim um sinônimo de coragem. Em outubro de 2012, a jovem sofreu um atentado contra a sua vida, sendo cruelmente baleada pelo Talibã. O motivo? Ela queria estudar e não se calou perante as ordens abusivas impostas pelo Talibã. A menina paquistanesa levantou a sua voz e o Talibã decidiu que deveria calá-la. Apesar da brutalidade do ataque, após um longo processo de recuperação, Malala sobreviveu com poucas sequelas. E hoje é exemplo mundial de luta em prol da educação.

Escrito numa parceria entre a jornalista Christina Lamb e Malala Yousafzai, Eu sou Malala retrata a história de sua família no belo Vale do Swat, seus primeiros anos de vida escolar, as desigualdades econômicas e sociais de sua região e sua luta pelo direito à educação feminina num país que valoriza somente seus filhos homens.

Apesar das dificuldades, a menina é uma privilegiada num país onde apenas uma de cada cinco meninas recebe educação formal, tudo graças a seu pai Ziauddin Yousafzai, que sempre pensou de modo diferente da maioria, dando a primogênita as mesmas oportunidades de educação que deu a seus dois irmãos mais novos. Ziauddin é ativista e dono de uma escola particular para garotas, coisa rara na região de Mingorá.

Rico em detalhes e escrito em primeira pessoa, o livro não é apenas uma Biografia, é também uma aula sobre a etnia patchum, cultura muçulmana e toda a região Paquistanesa. A abordagem, mais intimista e bem pessoal, faz com que o leitor compreenda exatamente as particularidades de sua vida, em que momento e em quais circunstâncias o Talibã tomou o Paquistão e as consequências para a jovem, sua família e o Vale do Swat.

Ontem, dia 10 de outubro, Malala recebeu juntamente com o ativista indiano Kailash Satyarthi o prêmio Nobel da Paz de 2014. Ela já havia sido candidata ao prêmio em 2013 e passa a ser a mais jovem da história a recebê-lo. Conquistá-lo dessa vez só mostra que a sua luta continua. A voz que o Talibã tentou calar, ressoa agora em todos os cantos do mundo.

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Foto: Reprodução

Malala, você me comoveu com suas citações, sua determinação, bravura e esperança de um mundo melhor. Depois de ler sua história, passei a compactuar com seus sonhos.

Definitivamente “Eu sou Malala” é capaz de inspirar e despertar em nós aquela velha vontade de mudar o mundo.

Na Estante: Garota Exemplar

O melhor livro que já li na vida.

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Foto: Daniela Colaci

Amy Dunne, esposa de Nick Dunne, desaparece exatamente no quinto aniversário de seu casamento. A casa está revirada, o que aparenta que Amy não saiu dali por vontade própria. Um seqüestro, talvez? Nick chama a polícia, porém as evidências parecem apontar diretamente para ele. Com um comportamento duvidoso e contando uma história totalmente diferente da contida no diário de Amy, Nick parece cada vez mais suspeito, porém segue jurando sua inocência. Toda história tem três lados, o lado dele, o dela e a verdade.

Gillian Flynn alterna as narrativas, ora a história é contada por Nick, ora pelos registros em diário de Amy. A intenção é que cada um pareça extremamente sincero, à medida que a história é contada na sua perspectiva. Mas ao longo do livro, o leitor percebe que a verdade não é o forte do casal e não sabe mais em quem pode confiar. Na medida em que se constroem hipóteses, o capítulo seguinte é capaz de mudar todas as perguntas.

Amy Elliot Dunne é, sem dúvidas, a personagem feminina mais bem construída que já vi. Sua mente é sobre-humana, beirando a genialidade. Seus registros em diário são relatados com tamanha riqueza de detalhes, que quem lê é capaz de se sentir dentro da história, vivenciando com Amy cada etapa de sua vida desde o dia em que conhece Nick até o dia em que desaparece.

Um fato interessante no desenrolar da história é que os pais de Amy são escritores e escreveram uma série de livros infantis, cuja personagem título foi inspirada em Amy. “Amy Exemplar”, sempre certa, sempre tomando as decisões mais sensatas. Mas será Amy tão exemplar quanto sua homônima dos livros infantis?

Flynn é uma autora brilhante. Sua capacidade em construir uma personagem tão intrigante, em uma trama muito bem amarrada em um livro de 448 páginas sem cair na monotonia, é no mínimo admirável.

Em meio ao enredo principal, o livro conta com muitas frases marcantes e também faz refletir: Será mesmo que você conhece a pessoa com quem se relaciona? A intimidade é realmente a prova da verdade? “Nenhum relacionamento é perfeito.” Essa é a máxima perfeita para Garota Exemplar.

Garota Exemplar virou filme e estréia dia 02 de outubro. Pelas críticas, parece ser uma produção tão arrebatadora quanto o livro. Nick ganha vida através de Ben Affleck e Amy será interpretada por Rosamund Pike. A direção fica a cargo de David Fincher. E eu espero sair tão extasiada dos cinemas quanto fiquei ao ler a última página do livro.

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Foto: Reprodução