As dores e as delícias do primeiro encontro – Parte 6

Leia aqui a Parte 1, Parte 2, Parte 3Parte 4 e Parte 5

Enfim, a sexta feira chegou! E com ela, o dilema da vida da Ana:  Com que roupa eu vou? Não tenho nada novo para usar…
Decidida a arrasar, colocou quase todas as peças do armário na cama e provou várias combinações. Acabou escolhendo um scarpin preto, uma saia preta levemente rodada e uma blusa de renda vinho. Caprichou nos acessórios, fez uma maquiagem no estilo “nasci assim” e modelou o cabelo com cachos largos. Ana não era dona de uma beleza óbvia, mas sabia como realçar seus pontos fortes!  O interfone tocou e ela rapidamente desceu a portaria do prédio.

– Ana, UAU, você está linda!
Ela sorri, meio tímida, mas também orgulhosa do resultado de sua produção. – Obrigada!

Olha de relance para o carro e não vê ninguém lá dentro – Sua prima não ia com a gente?

– Ela vai encontrar com a gente lá…

– Ah sei… – Ana queria muito fazer perguntas a respeito da tão famosa prima, mas resolveu segurar a curiosidade, afinal, ela ia conhecê-la em instantes.

Durante o trajeto conversaram sobre os últimos filmes que tinham assistido e também sobre a expectativa pra ver a atuação de Ben Affleck como o novo Batman. Ana adorava quando falavam de coisas que tinham em comum, era impossível não ficar pensando nas tardes/noites em que ela ficaria vendo filmes e séries nos braços dele, jogada no sofá. O teatro era pertinho da casa dela, então chegaram muito rápido.

Ele estacionou o carro, mas não desceu. Enquanto conversavam mais um pouco, ele a surpreendeu com um beijo. E que beijo! Há muito tempo Ana não tinha um beijo daqueles que arrepiavam o cabelo da nuca. A vontade dela era de ficar só ali, beijando mais e mais.

Mas, numa fração de segundo, os beijos foram interrompidos por uma batida no vidro do carro.

– Desce logo daí, Gui! – Gritou uma mulher do lado de fora do carro.

Ana, surpresa e sem saber o que dizer, ficou apenas olhando a cara dela… será que era a prima? Só podia ser!

Abrindo um sorriso enorme, Guilherme desceu do carro e deu um abraço de urso na mulher. Sim, definitivamente, era a prima.

Ali estava ela, com uma bota preta, uma calça justa e uma jaqueta de couro, além do cabelo preto maravilhoso na altura da cintura e lábios pintados com um batom vinho escuro, ela sorria pra Ana.

– Deixa eu apresentar vocês, Ana, essa é a minha prima Luísa! Luísa, essa é a Ana que eu te falei!

Mais do que depressa, Luísa já estava lhe dando um abraço de esmagar as costelas. – Ana!!!! Que linda que você é, bem que o primo tinha falado! Pode me chamar de Lú, tá? – Disse, piscando um olho para ele.

– Ele falou, é? – Sorriu, toda boba. Caramba, além de maravilhosa a prima ainda é simpática…

– Luísa, você não consegue guardar nenhum segredo, não é?
– Pra que guardar segredo disso?

Constrangidos, eles deram as mãos e chamaram Luísa pra entrar, pois faltava só 20 minutos para começar e ainda precisavam achar os lugares.

– Vão indo na frente! Tô tentando falar com a Drica.

– Quem é Drica? – Ana perguntou discretamente.

– Drica é a cerimonialista do meu casamento! Ela é fantástica, tá organizando tudo do jeito que eu sempre sonhei! O Gui não te contou? Me caso em 6 meses! Por isso que vim pra cidade, pra escolher umas coisas com ela…

– Não, ele não contou!!!! – Falou Ana, quase berrando de tanta felicidade. Calma Ana, não dá bandeira, né?  – Que incrível, espero que seja um belo casamento!

– E eu espero que você possa ir! – E deu uma piscadinha com sorriso.

Ela olhou para o primo que estava sorrindo também e se afastou com o celular nas mãos.

Gui e Ana entraram no teatro para procurar os lugares comprados. Assim que se sentaram, Ana viu um cabelo curtinho, maravilhoso. Do jeito que ela sempre quis cortar, mas nunca teve coragem. A moça estava duas fileiras a frente e… opa. Aquele ali era o André. Aquele ordinário que estudou com ela na faculdade e também aquele que a enrolou por quase um ano, desviando das suas investidas pra oficializar o namoro. E quando ela resolveu colocá-lo na parede, ele disse que não queria se envolver. NÃO!!!!! Aquela do lado dele era a Marcela! E ela estava ainda mais deslumbrante do que era antes! Como pode? Tomara que o Gui não tenha notado…

Ana rapidamente olhou pra ele, que estava com os olhos grudados no programa da peça. – Ele não viu, ele não viu, ele não viu- mentalizou Ana, com toda a força que podia. Ele, ao perceber que ela estava olhando, levantou os olhos e deu um sorriso meio sem graça, e voltou a ler o programa. Ah não, com certeza ele viu!

A peça foi ótima, divertida na medida certa. Mas algo tinha acontecido com o humor de Guilherme. Ele não foi grosseiro, nem nada parecido, mas aquele brilho nos olhos que ela tanto gostava havia sumido.

Ah meu Deus, será que ele ainda gosta da ex?

(CONTINUA)

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