Caipira por vocação

É batata. Basta falar que é mineiro pra ouvir a pergunta de lei: – “Você tem sotaque?” (Tenhu não) Ou então, uma sonora acusação: – “Caipira!” – Arre, e isso por acaso é coisa ruim? Sou mineira do interior e minha voz não me deixa esconder. Sou caipira sim e tenho sotaque mesmo. E “tadim” de quem acha que ser caipira é ser burro.

Por mais que eu pareça ser uma menina da cidade, se eu não me concentrar muito, vou logo soltando as minhas pérolas do interior:
“Melhor? – Milhor” – “Mais linda? – Mar liiiinda” “Mesmo? – Meis” “Pão com manteiga? – Pão cum mantêga” “Demais? – Dimais”.

Eu confesso que por muito tempo isso me incomodou. Não por mim, mas pelos outros. Pelos julgamentos. Pelo preconceito de que ser caipira é ser menos que os outros. Eita, coisa besta, né não?

Mas, no fim das contas, eu percebi que eu não preciso mudar algo que faz parte da minha essência, o sotaque é apenas uma pecinha que me compõe. Por mais que eu more na cidade, eu sempre vou ser “da roça”. Falar assim apenas faz parte do meu “jeitim de ser”.

Meu sotaque não me faz menor do que você que fala todas as palavras certinhas e inteiras. Aliás, não existe certo e errado quando se trata de sotaque! Que graça teria se todo mundo falasse do mesmo jeito, hein?

Meu “jeitim di falá” pode parecer bobo e até mesmo ser considerado feio pros ouvidos mais rigorosos. Mas ó, nem ligo.
Na minha alma de caipira habita um coração humilde que não nega de onde veio. E não há dinheiro no mundo que compre a riqueza de ser simples de coração.

Se você acha que ser caipira é cafona, besta é ocê. Mas não fica bravo não, porque os caipiras têm muito “amô” no coração, tá bom?
Vamos parar com a rivalidade besta? A rixa gente da cidade x gente do campo não precisa existir. Deixa “di sê” bobo e vamos fazer as pazes comendo um baita pão de queijo?
Vem logo sô. O café tá “fresquim”.
Um “bêjo”.

Ser caipira está intimamente relacionado