Na Estante: Eu sou Malala

Uma história pra lá de inspiradora.

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Foto: Daniela Colaci

Após ler esse livro, Malala Yousafzai virou para mim um sinônimo de coragem. Em outubro de 2012, a jovem sofreu um atentado contra a sua vida, sendo cruelmente baleada pelo Talibã. O motivo? Ela queria estudar e não se calou perante as ordens abusivas impostas pelo Talibã. A menina paquistanesa levantou a sua voz e o Talibã decidiu que deveria calá-la. Apesar da brutalidade do ataque, após um longo processo de recuperação, Malala sobreviveu com poucas sequelas. E hoje é exemplo mundial de luta em prol da educação.

Escrito numa parceria entre a jornalista Christina Lamb e Malala Yousafzai, Eu sou Malala retrata a história de sua família no belo Vale do Swat, seus primeiros anos de vida escolar, as desigualdades econômicas e sociais de sua região e sua luta pelo direito à educação feminina num país que valoriza somente seus filhos homens.

Apesar das dificuldades, a menina é uma privilegiada num país onde apenas uma de cada cinco meninas recebe educação formal, tudo graças a seu pai Ziauddin Yousafzai, que sempre pensou de modo diferente da maioria, dando a primogênita as mesmas oportunidades de educação que deu a seus dois irmãos mais novos. Ziauddin é ativista e dono de uma escola particular para garotas, coisa rara na região de Mingorá.

Rico em detalhes e escrito em primeira pessoa, o livro não é apenas uma Biografia, é também uma aula sobre a etnia patchum, cultura muçulmana e toda a região Paquistanesa. A abordagem, mais intimista e bem pessoal, faz com que o leitor compreenda exatamente as particularidades de sua vida, em que momento e em quais circunstâncias o Talibã tomou o Paquistão e as consequências para a jovem, sua família e o Vale do Swat.

Ontem, dia 10 de outubro, Malala recebeu juntamente com o ativista indiano Kailash Satyarthi o prêmio Nobel da Paz de 2014. Ela já havia sido candidata ao prêmio em 2013 e passa a ser a mais jovem da história a recebê-lo. Conquistá-lo dessa vez só mostra que a sua luta continua. A voz que o Talibã tentou calar, ressoa agora em todos os cantos do mundo.

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Foto: Reprodução

Malala, você me comoveu com suas citações, sua determinação, bravura e esperança de um mundo melhor. Depois de ler sua história, passei a compactuar com seus sonhos.

Definitivamente “Eu sou Malala” é capaz de inspirar e despertar em nós aquela velha vontade de mudar o mundo.